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Seleção de ginástica vai ser vigiada à distância

O regime de concentração permanente está descartado para a seleção brasileira de ginástica nos próximos ciclos olímpicos. Mas as escolhidas para buscar vagas nos Jogos de 2016 e 2020 estarão sob constante vigilância.

Kazuhiro Nogi – 15.out.2011/France Presse
Jade Barbosa em ação no Mundial de ginástica artística no Japão
Jade Barbosa em ação no Mundial de ginástica artística no Japão

“Nossa ideia é usar o esquema americano de ‘campings’. As atletas treinam em seus clubes e, a cada dois meses, vêm para o Rio para treinarem juntas por alguns dias, serem avaliadas e trocarem experiência”, explica Georgette Vidor, coordenadora da seleção feminina. “Se as metas forem cumpridas, as ginastas mantiverem o alto nível de desenvolvimento, poderão voltar [aos seus clubes]. Caso contrário, serão convidadas a ficar no Rio.”

O novo centro de treinamento da confederação deve ficar pronto em março, no velódromo construído para o Pan-07. Um técnico estrangeiro deve ser contratado para gerir o CT, mas não a seleção.

“Quem quiser poderá vir treinar conosco. Queremos que seja como uma casa da ginástica. Pode até trazer seu técnico”, afirma Georgette.

“Queremos deixar um legado de mais meninas praticando ginástica em alto nível. E também de técnicos capacitados a descobrir e a fazer grandes ginastas”, diz.

A preparação para a Olimpíada, no entanto, deve acontecer em um regime maior de concentração, no Rio. A equipe tentará conquistar a vaga para os Jogos em janeiro, em evento-teste de Londres, a ser disputado na arena olímpica.

Na preparação para as duas últimas Olimpíadas, o regime era de seleção permanente em Curitiba. Sob a batuta de Oleg Ostapenko, a ginástica nacional conquistou seus principais resultados.

Agora o treinador ucraniano trabalha em um clube da capital paranaense, comandado pela ex-administração da confederação. A seleção permanente já foi criticada por diversas atletas, como Daniele Hypólito e Jade Barbosa. Outras, como Daiane dos Santos, elogiavam o sistema.

A divergência sobre a seleção permanente foi um dos elementos da crise que veio à tona durante o Pan de Guadalajara, neste ano, em que o Brasil não foi ao pódio.

As ginastas reclamaram união e lavaram roupa suja em público. Antes do México, foram mal no Mundial, sem medalhas e sem vaga olímpica. “Eu sabia que isso podia acontecer, que haveria uma pressão política. Depois de um resultado ruim é sempre assim. Mas já está tudo superado. E elas sabem que indisciplinas não são aceitas”, afirma Georgette.

Com a Folha.com

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