Willames Costa

Compromisso com a informação

Bahia Regional

‘Sempre foi correto’, diz presidente da AL-BA sobre deputado alvo da PF

O presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, o deputado Marcelo Nilo, disse em entrevista à TV Bahia que não tinha conhecimento sobre a existência de servidores considerados “fantasmas” na gestão do deputado estadual Roberto Carlos Almeida (PDT), alvo da operação “Detalhes” da Polícia Federal, deflagrada na terça-feira (3).

Segundo a PF, oito “funcionários fantasmas”, todos da cidade de Juazeiro, região norte da Bahia, participavam do esquema de desviar os salários, ou parte do dinheiro, para o deputado Roberto Carlos Almeida. Seis desses servidores foram ouvidos pela polícia na manhã de terça-feira e confessaram participação na ação.

“É um deputado de três mandatos, sempre foi correto e deixou todos nós preocupados e tristes. Agora, eu acho que qualquer cidadão tem direito à defesa. Roberto Carlos vai fazer sua defesa. Se a Polícia Federal me informar quais foram os funcionários que cometeram o crime, eu demito imediatamente porque, para mim, a Polícia Federal tem fé de ofício. Agora, com relação ao deputado, tem que se abrir um processo, tem que ser uma coisa que parta de qualquer partido ou qualquer deputado, com direito à defesa, com direito ao deputado Roberto Carlos fazer sua própria defesa. É um processo que depende da mesa diretora e depende do plenário”, afirma o presidente da AL, Marcelo Nilo.

Operação Detalhes (Foto: Reprodução/TV Bahia)
Operação ‘Detalhes’ foi executada na segunda-feira
(Foto: Reprodução/TV Bahia)

Sobre as denúncias de que alguns dos servidores que recebiam salários da verba de gabinete do deputado Roberto Carlos nunca estiveram no prédio da Assembleia, Marcelo Nilo classificou de “impossível”.

“Depois que eu tomei posse como presidente, eu proibi tomar posse por procuração. Qualquer servidor para tomar posse é obrigado a ir na Assembleia Legislativa. Agora, a responsabilidade  dos funcionários do gabinete é do próprio parlamentar. A lei diz que é uma verba de gabinete indicada pelos deputados e a responsabilidade da frequência é do próprio parlamentar. Pelo menos depois que eu sou presidente, há cinco anos, todos os servidores para tomar posse são obrigados a irem na Assembleia. Não aceito desde o início da minha legislatura como presidente a procuração por posse. Portanto, esse servidores ou tomaram posse antes do presidente Marcelo Nilo assumir ou com certeza estiveram na Assembleia Legislativa”, afirma.

Investigação
Segundo o superintendente regional da Polícia Federal em exercício, Daniel Veras, as investigações começaram a partir de um relatório emitido pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), enviado à Polícia Federal, no qual foram identificadas movimentações finaceiras atípicas realizadas por familiares do deputado no período de 2008 a 2010.

A investigação foi iniciada pela Delegacia da Polícia Federal em Juazeiro, região norte da Bahia, há dois anos e 12 mandados de busca e apreensão foram expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em Brasília. Roberto Carlos Almeida é o atual presidente do clube de futebol Juazeirense e atua como corregedor na Assembleia Legislativa da Bahia.

Documentos e computadores foram apreendidos pelo agentes federais no gabinete do deputado na Assembleia Legislativa da Bahia. Também houve averiguações nas cidades baianas de Juazeiro e Uauá, além de Petrolina (PE).

Posição do partido
A executiva estadual do PDT, legenda do deputado denunciado, enviou nota à imprensa afirmando que o parlamentar é filiado ao partido há mais de 20 anos e, nesse período, “tem sido da maior lisura e lealdade, não sendo do nosso conhecimento qualquer ato que desabone sua conduta”. Relata também estado de “surpresa” com as denúncias da PF, “principalmente por se tratar do companheiro Roberto Carlos”. A nota relata ainda a crença na “honradez” e “inocência” do suspeito e finaliza ressalvando o direito à defesa: “Não podemos prejulgar, pois a nenhum cidadão pode ser negado o direito de defesa, esperamos que tudo seja apurado e reiteramos a nossa Confiança na Justiça e na Policia Federal, estando certos de que a Justiça ao Final Prevalecerá”. A nota foi assinada pelo presidente do PDT na Bahia, Hari Alexandre Brust.

Esquema
Em depoimento, um dos “funcionários fantasmas” informou à polícia que nunca chegou a trabalhar na Assembleia Legilativa. Ainda de acordo com a Polícia Federal, o esquema funcionava através de depósitos dos salários dos supostos servidores, no valor de R$ 3 a R$ 8 mil, que eram sacados por terceiros e mais uma vez depositados nas contas do filho e da mulher do deputado Roberto Carlos Almeida.

Segundo a PF, os suspeitos ouvidos na terça-feira serão indiciados por formação de quadrilha, peculato, lavagem de dinheiro e sonegação fiscal.

Fonte: Do G1 BA, com informações da TV Bahia

LEAVE A RESPONSE

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *