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Sobe para 63 total de mortos em ataques em Bagdá

O total de mortos em uma onda de ataques aparentemente coordenados em diferentes bairros de Bagdá subiu para ao menos 63 nesta quinta-feira, e quase 200 ficaram feridos, de acordo com informações oficiais. Foram os piores atentados nos últimos meses e ainda não se sabe quem foram os responsáveis.

Os atentados aumentam a preocupação de que aconteça um conflito sectário no país, quatro dias depois da retirada das tropas americanas e em meio a uma crise política. Foram mais de dez explosões em Bagdá, de acordo com um porta-voz do ministério da Saúde.

O atentado mais mortífero ocorreu no bairro de Al Karrada, no centro da capital, onde pelo menos 23 pessoas morreram e mais 43 se feriram com a explosão de um carro-bomba perto do organismo governamental que se encarrega da luta anticorrupção.

Os ataques coincidem com um momento de crise política no Iraque desencadeada pela emissão de uma ordem de prisão contra o vice-presidente iraquiano, Tareq Hashemi, supostamente vinculado a atos de terrorismo.

Após essa ordem, emitida no último dia 19, o bloco político do sunita Hashemi, o Al Iraquiya, decidiu boicotar as reuniões do governo de união nacional, onde tem oito ministros.

A Justiça iraquiana também requisitou ao Parlamento que destitua o assessor do líder sunita, Saleh Mutlaq, por ter comparado primeiro-ministro iraquiano, Nuri Maliki, ao ditador Saddam Hussein.

Saad Shalash/Reuters
Militares observam carro queimado em ataque com bombas realizado na região central de Bagdá
Militares observam carro queimado em ataque com bombas realizado na região central de Bagdá

As medidas contra os dirigentes sunitas estão aumentando a tensão no Iraque porque a comunidade sunita teme que o primeiro-ministro queira consolidar o controle dos xiitas sobre o país.

O vice-presidente iraquiano afirmou que a ordem de prisão emitida contra ele foi um “ataque político”, negando as acusações de que planejava atos terroristas contra outros políticos.

CONFLITOS

A Casa Branca expressou sua preocupação com a atual crise política no Iraque, dias depois de encerrar em uma cerimônia oficial a guerra da qual participou no país. O porta-voz da Presidência americana, Jay Carney, afirmou que os Estados Unidos estavam “inquietos” em relação à crise iraquiana, iniciada após a partida dos últimos soldados americanos.

Os EUA entregaram na sexta-feira (16) às forças armadas iraquianas a última das 505 bases militares de que dispunham no país, um dia após a cerimônia formal de retirada dos americanos do Iraque realizada em Bagdá, após quase nove anos de conflito iniciado em março de 2003.

Após o final do ano, a embaixada dos EUA pretende manter apenas 157 soldados para o treinamento das forças iraquianas, e um grupo de fuzileiros navais para proteger a missão diplomática. Durante o pico do conflito, que durou quase nove anos, o total das tropas chegou a quase 170 mil soldados.

Dar fim à guerra foi uma das promessas que ajudaram Barack Obama a chegar à Presidência em 2008, e permite que a Casa Branca foque no Afeganistão e na crise econômica doméstica. No entanto, críticos acusam Obama de usar o fim da guerra para dar força à sua campanha para a reeleição em 2012.

A violência no Iraque vinha caindo, após alcançar um pico entre 2006 e 2007. Com a saída das últimas tropas dos EUA do país, a preocupação é de que as forças de segurança do Iraque não consigam conter os conflitos sectários, levando a uma instabilidade política grande o suficiente para gerar uma guerra civil. 

DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

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