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Traficante Nem tinha R$ 180 mil em dinheiro quando foi preso

O traficante Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, apontado como chefe do tráfico na favela da Rocinha, portava cerca de R$ 180 mil no momento em que foi preso, na madrugada desta quinta-feira. O dinheiro estava dividido em notas de real (59.900) e de euro (50.500 ou R$ 120 mil).

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Ele estava no porta-malas de um Toyota Corolla, que foi parado pela polícia a poucos quilômetros da favela. Segundo os policiais que participaram da prisão, eles suspeitaram do veículo porque a suspensão estava baixa –indicando alguma carga no porta-malas.

“A guarnição verificou que a suspensão do carro estava muito baixa, além do normal. Os PMs suspeitaram que havia algo no porta-malas. Os suspeitos relataram que tinha muito dinheiro ali, aproximadamente R$ 1 milhão. Mas a guarnição reparou alguns movimentos, e dinheiro não se mexe”, disse o comandante do Batalhão de Choque, coronel Fabio Almeida de Souza.

Marcelo Sayão/Efe
Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, é transferido por policiais até o presídio de Bangu
Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, é transferido por policiais até o presídio de Bangu; veja galeria

Segundo a polícia, o veículo foi parado pela primeira vez por volta das 23h na estrada da Gávea, uma das saídas da Rocinha. Estavam no carro dois advogados e um motorista, que se identificou como cônsul honorário da República Democrática do Congo.

Ele alegou imunidade diplomática, não permitiu que o carro fosse revistado e disse que, como autoridade, deveria ser atendido na 15ª DP (Gávea). Diante dessa afirmação, veículos da PM passaram a escoltar o Corolla até a delegacia.

Quando passavam pela Lagoa, na altura do Cinépolis Lagoon, o veículo parou e, segundo os policiais, os suspeitos ofereceram R$ 20 mil como propina. O comboio seguiu em frente e, na altura do Clube Naval, fez uma nova parada.

“Um dos advogados se identificou como pai do cônsul e foi ele quem ofereceu R$ 20 mil. Ele disse que na mala tinha R$ 1 milhão
e [perguntou] se aquilo resolvia tudo”, disse o tenente Ronald Cadar, que estava no grupo.

Após nova recusa dos policiais, o suposto cônsul disse que só abriria o porta-malas do carro na Polícia Federal. A PF foi acionada e os agentes que foram ao local abriram o porta-malas e encontraram o traficante Nem. Todos foram presos e levados à sede da PF na zona portuária do Rio.

A PF diz que entrou com contato com o Ministério das Relações Exteriores para verificar a identidade do suposto cônsul. A Embaixada do Congo em Brasília disse desconhecer qualquer relação entre o homem e o traficante, mas que ainda que aguarda dados da PF para se manifestar oficialmente.

ESCOLTA

Nem foi preso poucas horas depois de a Polícia Federal ter detido o seu braço-direito, conhecido como Coelho, e outros quatro traficantes, juntamente com três policiais civis e dois ex-policiais militares que faziam a sua escolta.

A PF diz que intensificou operações de inteligência ao saber que a Rocinha seria ocupada, e que recebeu informação de que haveria fugas.

Os policiais detidos entraram na favela em quatro veículos e deixaram o morro pela saída da rua Marquês de São Vicente, na Gávea. Entre os três policiais presos, dois atuavam na Delegacia de Roubo e Furto de Cargas e um da Delegacia de Saúde Pública.

Os policiais e os traficantes estavam armados, mas não houve troca de tiros. Alguns dos bandidos viajavam nos porta-malas dos carros.

Editoria de Arte/Folhapress

Além das prisões, a PF apreendeu cinco granadas, 11 pistolas, três fuzis, carregadores, munição e uma quantidade não especificada de dinheiro em reais e euros.

As fugas foram motivadas pelo plano do governo do Estado de ocupar a favela nos próximos dias, no primeiro passo para a instalação de uma UPP (Unidade de Polícia Pacificadora), a 19ª da cidade.

A Rocinha é uma das maiores favelas do Rio e sua pacificação é considerada chave para a política de segurança da gestão Sérgio Cabral (PMDB).

CHEFE DO TRÁFICO

Segundo investigação da Polícia Civil, por causa da iminente ocupação policial, o traficante Nem havia decretado desde a semana passada um toque de recolher para comerciantes e moradores. O traficante também teria limitado a circulação de motociclistas.

Apontado como um dos líderes da facção criminosa ADA (Amigos dos Amigos), o traficante Nem controla a Rocinha desde novembro de 2005 e possui nove mandados de prisão contra ele.

Uma investigação da Polícia Civil confirmou que Nem recebeu atendimento médico na manhã de segunda-feira (7) na UPA (Unidade de Pronto-Atendimento) da Rocinha.

Na ocasião, o traficante teria ido à UPA acompanhado de seguranças armados com fuzis. A Secretaria Municipal de Saúde, responsável pela unidade, não confirma o atendimento ao criminoso, mas também não nega o fato.

Uma das informações recebidas pela Polícia Civil é de que Nem teria procurado atendimento porque teria tido uma convulsão após misturar álcool com ecstasy durante uma festa realizada na Rocinha entre a noite de domingo (6) e a madrugada de segunda-feira.

COM A AGÊNCIA BRASIL

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