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Três líderes do movimento dos bombeiros são detidos no Rio

O cabo Benevenuto Daciolo e os sargentos Adriano Lourenço de Freitas e Wendel Soares (Soró) foram presos nesta terça-feira pelo Corpo de Bombeiros do Rio. Os três lideram o movimento que reivindica melhores salários e condições de trabalho para a categoria.

De acordo com outros bombeiros que participam do movimento, os três receberam, há três dias, um comunicado solicitando esclarecimentos sobre a sua presença em diversos protestos. Daciolo foi acusado de ter “violado a hierarquia e a disciplina por ter se manifestado publicamente contra autoridades estaduais”.

“Temos nos manifestado nos nossos horários de folga, de forma pacífica, sem prejudicar ninguém. A prisão é inconstitucional”, argumentou o cabo Leal. “A situação no Corpo de Bombeiros está muito grave”, diz.

Daciolo está detido no 1º G-Mar (Grupamento Marítimo), em Botafogo, na zona sul do Rio; Soró no 7º GBM, em Barra Mansa, interior do Estado; e Adriano em Resende, também no interior.

Segundo a corporação, os três foram punidos por transgressão disciplinar e ficarão reclusos por 30 e 15 dias, respectivamente, cumprindo atividades internas.

A Defensoria Pública, a frente do caso de Daciolo, informou que irá apresentar hoje um habeas corpus junto à Auditoria Militar, sustentando que a punição é inconstitucional, “pois fere o direito fundamental de liberdade de expressão do cabo, que não estava de serviço durante o ato público”.

Os bombeiros promovem manifestações por reajuste salarial desde maio. No dia 30 de agosto um grupo de manifestantes montou um acampado em frente à Alerj (Assembleia Legislativa do Rio) e promete ficar nas escadarias do Palácio Tiradentes até ser recebidos pelo governador Sérgio Cabral (PMDB).

Já no início de junho cerca de 2.000 manifestantes ocuparam o quartel central do Corpo de Bombeiros acompanhados por mulheres e crianças. Na manhã do dia seguinte, policiais militares do Batalhão de Choque invadiram o local com o uso de bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo para dispersar a manifestação. Dois policiais militares e 429 bombeiros que participavam do protesto foram presos, sendo libertados dias depois.

Com a Folha.com

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