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UE lamenta deficit espanhol de 8%, mas saúda cortes de € 8,9 bi

A União Europeia (UE) “lamentou” nesta sexta-feira o anúncio do governo espanhol de que o país ultrapassará amplamente a meta de deficit para 2011 mas saudou Madri pela adoção de um plano que deve cortar € 8,9 bilhões (cerca de R$ 21,4 bilhões) dos gastos públicos.

“O pacote de medidas orçamentárias da Espanha é bastante significativo e constitui um avanço muito importante para conter as finanças públicas e tranquilizar o mercado financeiro”, disse o comissário para Assuntos Monetários da UE, Olly Rehn.

A meta de deficit da Espanha para foi ampliada de 6% do PIB para 8% em 2011, anunciou o governo nesta sexta-feira.

“O mais importante é que a Espanha continue totalmente comprometida com a consolidação orçamentária e determinada a corrigir seu excessivo déficit para 2013 como previsto”, disse.

Segundo Rehn, a Comissão Europeia realizará uma avaliação exaustiva da saúde financeira espanhola.

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A reação de Bruxelas chega horas após o novo governo conservador espanhol ter anunciado um primeiro pacote de medidas de austeridade no valor de € 8,9 bilhões (cerca de R$ 21,4 bilhões) para combater um deficit público que, segundo afirmou, se situará em torno de 8% do PIB em 2011.

“O primeiro dos pedidos adotados pelo conselho de ministros é um acordo de não disponibilidade [do gasto] no valor de € 8,9 bilhões”, afirmou a ministra porta-voz, Soraya Sáenz de Santamaría, em uma coletiva de imprensa ao término da reunião do executivo do primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy.

A Espanha, um dos países mais afetados pela crise na Europa e pela explosão da bolha imobiliária, está sob intensa pressão do mercado com relação à sua capacidade de controlar as finanças públicas. Madri tem visto seus prêmios de risco dispararem a máximas recordes, devido a temores de contágio econômico após a Grécia pedir socorro internacional em maio de 2010.

Dominique Faget/France Presse
Ministros espanhois concedem entrevista ao lado da porta-voz do governo após reunião de gabinete
Ministros espanhois concedem entrevista ao lado da porta-voz do governo após reunião de gabinete

A número dois do governo também anunciou que o deficit público da Espanha se situará neste ano em torno de 8% do PIB, e não de 6%, como havia previsto o governo anterior socialista de José Luis Rodríguez Zapatero.

“O desvio que ocorreu em relação ao deficit orçamentário é substancialmente muito superior ao que havia sido comunicado e comprometido pelo governo anterior”, disse Sáenz de Santamaría.

“Estamos diante de uma situação extraordinária e imprevista” que ocasionará medidas de rigor “extraordinárias e imprevistas”, acrescentou a porta-voz, que também é vice-presidente do governo e ministra da Presidência.

Entre as medidas decididas nesta sexta-feira, incluem-se “manter o congelamento do salário dos funcionários públicos”, aplicado já neste ano pelo governo de Zapatero, depois de tê-los reduzido em 5% em 2010.

O novo executivo conservador também decidiu que não serão substituídas as vagas em aberto de todas as administrações públicas, com exceção dos serviços básicos como educação, saúde e forças de segurança.

“Os funcionários públicos voltam a ser os bodes expiatórios para aliviar as contas deficitárias do Estado”, disse o sindicato União Geral de Trabalhadores em um comunicado.

Rajoy já havia anunciado que seu governo aplicará grandes cortes orçamentários para reduzir o deficit a 4,4% do PIB em 2012.

Estes cortes seriam de € 16,5 bilhões (cerca de R$ 39,8 bilhões) se o deficit de 2011 se situasse em 6%, como o previsto, mas advertiu que seriam aumentados em € 10 bilhões por cada ponto percentual adicional.

O governo também anunciou nesta sexta-feira “um aumento temporal de determinados impostos” para “aqueles cidadãos que ganham mais ou possuem mais”, entre eles o imposto sobre a renda.

DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

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