Willames Costa

Compromisso com a informação

Esporte

Último Clássico dos Clássicos do ano é sempre promessa de emoção

 

735f28d74566047f4fe80744ef13ad8a.jpg

Duelo já ultrapassou os 500 jogos e os 100 anos
Ilustração: NE10

 

Já são cinco anos que Sport e Náutico fazem o último clássico pernambucano da temporada. A dupla iniciou essa tradição em 2006, quando ambos estavam na Série B e a competição foi disputada pela primeira vez no atual modelo de pontos corridos. Curiosamente, este último Clássico dos Clássicos sempre é disputado na reta final dos campeonatos – seja primeira ou segunda divisão -, o que dá ao confronto já renhido por natureza, um caráter ainda mais decisivo.

O primeiro capítulo da saga começou no dia 21 de outubro de 2006, pela 31ª rodada, na Ilha do Retiro. E a situação era boa para os dois times. Na época, ambos estavam no G4. O Náutico vinha de um empate com o Paulista em casa (3×3) e uma derrota para o América-RN (3×1) fora.

Esses dois jogos custaram a perda da vice-liderança justamente para o secular rival. O Sport empatou com o CRB fora e venceu o Vila Nova na Ilha. Chegou ao segundo lugar com 51 pontos deixando os alvirrubros logo em seguida, com 49. A torcida, e parte da diretoria, passaram a ver com desconfiança o técnico Paulo Campos, que diga-se de passagem já não era uma unanimidade por conta dos resultados do time fora de casa.

Pouco mais de uma hora antes do apito inicial vazava a notícia de que se o Náutico perdesse, o comandante estava fora. Em campo, o Sport jogou de forma mais consistente e venceu por 2×0, com Fumagalli anotando os dois gols. Promessa cumprida. Paulo Campos recebeu o bilhete azul para tristeza dos jogadores. Foi o jogo de número 500 entre os dois clubes.

Uma demissão que se mostraria injusta, pois o novo comandante, Hélio dos Anjos, pouco mexeu na equipe, que, diga-se de passagem, já estava com a classificação bem encaminhada. Ao final da Série B, os dois times subiriam, ambos com 64 pontos. O Sport ficou em segundo pelo saldo de gols.

O ano seguinte marcou a volta de dois clubes pernambucanos à Primeira divisão desde 2001. O início de ambos foi ruim. O Sport, que perdera o técnico Alexandre Gallo pouco antes da estreia, contratou Giba para o seu lugar mas ele não conseguiu repetir a campanha arrasadora do Estadual. O Náutico foi ainda pior e antes mesmo da metade da competição já era dado por muita gente como rebaixado.Mas as coisas mudaram para os dois lados com as chegadas de Geninho (Sport) e Roberto Fernandes (Náutico). A reação dos alvirrubros foi ainda mais brilhante, com uma campanha no segundo turno digna de render vaga no G4. Porém, como a desfasagem era enorme somente na metade final viria o alívio. Na virada do turno, o time vermelho e branco era o 18º colocado, com 20 pontos. O Sport tinha sete pontos a mais e estava em 11º lugar.
O jogo valia a luta por uma vaga na Copa Sul-Americana para os leoninos e a saída da zona de degola para os timbus. A data, 23 de setembro, pela 27ª rodada. Pela segunda vez um jogo emblemático. Com uma grande atuação do lateral-esquerdo Júlio César (hoje no Grêmio), autor dos gols, o Náutico venceu por 2×0 e saiu da área de rebaixamento. No final, a diferença entre os dois times foi de apenas dois pontos pró-Sport, 14º colocado. O Aristocrático ficou um degrau abaixo.

O Brasileirão de 2008 começou com um desafio para o Sport. Campeão da Copa do Brasil, não haveria meio-termo, já que qualquer posição entre o segundo e o 16º lugares daria no mesmo. O time já estava classificado para a Libertadores e só jogaria para ser campeão ou não cair para a Segundona. Para o Náutico, o desafio era não sofrer como no ano anterior.

Desta vez, o resultado não determinou futuro para nenhum dos dois times, embora o Náutico viesse novamente brigando contra a degola. Eles se enfrentaram no dia 19 de outubro, pela 30ª rodada. O palco, desta vez, foi a Ilha do Retiro. Gols, jogadas um pouco mais viris que o recomendável e expulsões deram o tom do empate por 2×2. O Náutico abriu o placar com Gilmar e o Sport empatou com Durval já nos acréscimos do primeiro tempo.

Aos dois do segundo, Roger pôs os donos da casa na frente e depois foi expulso. Num contra-ataque, Felipe deixou tudo igual aos 14. O resultado manteve o Náutico fora da zona de rebaixamento, em 15º e o Sport em 11º. O time alvirrubro terminaria em 16º, apenas uma posição antes da queda. O Sport tornaria cativo o 11º posto.

QUEDA – Em 2009, os dois times caíram juntos e um Clássico dos Clássicos voltou a ser decisivo. Depois de uma boa campanha na Copa Libertadores, o Sport iniciou queda livre no Brasileirão. O Náutico começou arrasador com o mesmo Waldemar Lemos de hoje e chegou a ocupar a vice-liderança nas primeiras rodadas.

Com a saída do técnico, o time tomou o rumo da queda para não mais sair. Porém, antes disso empurrou o rival para a humilhante lanterna, onde praticamente ficou carimbado o passaporte para a Série B. O jogo começou eletrizante, já que os dois times precisavam desesperadamente da vitória. O Náutico abriu o placar logo aos quatro minutos, com Bruno Mineiro, hoje no Sport.

Apenas três minutos depois, Vandinho deixou tudo igual. Ainda no primeiro tempo, o onipresente nos times de Pernambuco, Carlinhos Bala, pôs o timbu à frente. Wilson voltaria a empatar o jogo aos 16 minutos. Mas a alegria durou pouco, pois Irênio chutou de fora da área, a bola quicou no gramado e enganou Magrão.

O jogo valeu pela 33ª rodada e, ao final da partida, um emocionado Maurício Cardoso, então presidente alvirrubro, entrou no gramado para abraçar os jogadores. Já o mandatário rubro-negro, Sílvio Guimarães, admitia o inevitável: não havia mais chance de escapar do rebaixamento. No fim, o Sport ficou em último lugar, com míseros 31 pontos. Os alvirrubros ficaram com o penúltimo lugar, com 38.

Ambos voltaram juntos à Série B em 2010 e viviam situações opostas quando se enfrentaram no dia 23 de outubro, pela 31ª rodada. O Sport começou muito mal e passou várias rodadas na zona de rebaixamento à Série C. A partir das chegadas do técnico Geninho e do meia Marcelinho Paraíba o time reagiu. Já o Náutico começou muito bem e caiu à medida que a competição avançou. Problemas extra-campo, sendo o maior deles falta de pagamento pareciam condenar o time ao pior.

Mas, como acontece em clássicos, os jogadores tiram forças de onde aparentemente não existe. A partida foi equilibrada do primeiro ao último minuto. Bruno Meneghel fez 1×0 para o Náutico a um minuto do segundo tempo. Aos 12, Marcelinho Paraíba desperdiçou uma cobrança de pênalti. Mas aos 26 se redimiu ao mandar a bola na cabeça de Romerito, que empatou. No início desse jogo, o zagueiro rubro-negro César sofreu uma ruptura no ligamento cruzado do joelho direito.

O destino dos dois seria continuarem juntos. O Sport bateu à porta do G4 até a penúltima rodada. O Náutico conseguiu escapar da Série C apenas na 36ª, quando venceu o Brasiliense por 1×0, fora de casa. 

Com Do NE10

LEAVE A RESPONSE

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *